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sábado, 21 de janeiro de 2012

Neste início de noite, li de uma sentada só a tradução e adaptações de algumas cartas de Kahlil Gibran para Mary Haskell feita por Paulo Coelho. Baixei o livro depois que Paulo liberou em seu blog e divulgou no twitter para reafirmar sua atitude em relação ao movimento #StopSOPA.

Quero agradecer a Paulo pela sua atitude. São gestos como esse que fazem a diferença, inspiram a mudança e espalham cultura mundo a fora.

Separei para os amigos dois trechos que muito me tocaram.
Bon apetit!






A existência não tem apenas seu aspecto físico. As pessoas mais velhas podem estar muito mais vivas que as jovens, porque já experimentaram muito mais coisas.

O problema com a velhice é que, por medo da morte que se aproxima, as pessoas passam a ter pavorde viver. Não entendem que o final de uma etapa é que torna possível o próximo passo; a Natureza jamais dá saltos. Da mesma maneira que não quebra os galhos jovens, tampouco impede que uma árvore, velha e cansada, deixe de existir.

Isto é o que chamamos de “ordem natural das coisas”. Muitas vezes eu me imagino depois da morte, retornando lentamente aos elementos do solo; é a grande entrega, que muda tudo em silêncio e calma, para que as coisas possam renascer. A idade prepara meu corpo para fertilizar de novo a terra de onde vim.


O outono do corpo conduz ao inverno, e o inverno é necessário para que uma nova primavera surja. Da mesma maneira, o meu espírito se move de uma etapa para outra, sabendo que cada estação tem suas qualidades e seus defeitos.


***


A diferença entre um profeta e um poeta é que o primeiro vive aquilo que ensina.

O poeta não faz isso; ele pode escrever versos magníficos sobre o amor, e mesmo assim, continuar sem ser amado. Quando uma pessoa aceita não ser amado, termina transformando-se em alguém impossível de se amar.

A arte é a tentativa de exprimir o que a humanidade ama. Em todas as épocas, nós amamos a beleza. Nem tudo que é belo é bom, mas toda bondade é bela.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Por uma razão... ou nenhuma




"Grandes realizações não são feitas por impulso, mas por uma soma de pequenas realizações."
Vincent Van Gogh

***

Abdicar de um ganho de curto prazo pode parecer difícil diante do medo de esperar e colher algo melhor num futuro incerto. Procurar além do horizonte do agora, ainda que se viva cada momento na incerteza da construção de um tempo que se faz presente.

Se tivéssemos um acesso epistêmico às linhas do tempo que se cruzam em nossas pessoas, nesse deslizamento das memórias do passado que formam nós e nos formam com as potencialidades do futuro, seríamos menos ansiosos ou ficaríamos paralisados na expectativa do vir-a-ser?

***

ser-aqui-no mundo e não ser nada mais que alguém
a quem devo invocar para ser além, senão a mim mesmo
acreditar nas fábulas de minha juventude
crer nas esperanças bem-aventuradas do viver assim

viver a vida a cada instante do começo ao fim
e se refletisse, como quem não quer nada, todos os detalhes amiúde
desde os pequeninos aos grandes eventos que me ocorrem ao esmo
descobriria um eu que não eu ou de mim a mim mesmo meu refém

preso na eternidade das dimensões infinitas da existência
condenado à liberdade e responsável pela realidade que construo
e se nada fizer já teria feito, com ou sem defeito
porque todo feito é suspeito de nada ser

tão cheio ou vazio de significado na dança dos girassóis à procura do sol


sábado, 19 de junho de 2010

Da sintaxe à semântica: minha despedida mal entendida à José Saramago

Ontem escrevi a seguinte mensagem no meu Orkut, abre aspas tchau, Saramago fecha aspas com exclamação, e logo começou uma discrepância entre meus amigos sobre o que teria eu dito com aquelas palavras lançadas assim ao vento cibernético em meus às nuvens do Google e da web, e fiquei marcado como opositor ou crítico do escritor lusófono ao não prever o impacto da sintaxe em relação à semântica de minhas palavras não entonadas, grafadas somente no meu restrito entender.

Mesmo com três de suas obras lidas por estes meus olhos que a terra não há de comer - preferiria ser cremado a concretizar os sonhos dos vermes e das raízes das gramas ao misturar o pouco de humano que resta ao corpo à mãe Terra e transmutar aquilo que fora gente em pó novamente e retomar o ciclo que surgiu no início dos tempos e que processará toda a Natureza até o seu fim sem ponto, sem vírgula e sem testemunhas para versar a linda biografia universal do existir - fui incompreendido por não antever a possibilidade de minha direta e objetiva declaração.

Não sei se por rudeza e falta de lirismo de minha parte, já que me considero algo como um estruturalista concretista quadrado, isso num sentido mais geométrico que direitista, visto minha afinidade com os entendimentos políticos do falecido autor e de outros tantos autores de minha crônica preferência, ou por egoísmo, ou simples chiste de uma composição formulada às pressas e desprovida de qualquer conotação afetiva maior.

Quando recebi a réplica contrariada de minha sentença, a primeira reflexão que se produziu se apegou na lógica mínima da incoerência de uma frase com referências a outros mundos, paraísos e qualquer além que estivesse além do Ribatejo, de onde surgiu tal grandioso autor. Falar de um adeus ou de um até breve seria nefasto e incongruente para falar de menos ou ao menos me revelaria verdadeiro provocador com ato dirigido neste caminho de pensamento.

Um ponto somente me entristece ao ver a imagem de Saramago tratado como figura pop: piadas no Twitter, comentários de Sandy e milhares de reportagens.

De que valem comentários apócrifos se o que vale no fim é a vida vivida e não a morte que nos toma sem rodeios nem prosa nem verso nossa breve e tênue humanidade.

O que desespera minha alma é me lembrar de Saramago todas as vezes que corrijo provas e me deparo com tanta (falta de) homenagens àquele que bem soube subverter o linguajar grafado em prol de uma textura mais próxima da promíscua oralidade.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

J'aime lire! Educar para crescer.

Ler é um passaporte para outros mundos e uma ponte para facilitar o acesso a informações de nosso mundo.

A leitura estimula o desenvolvimento cognitivo, a memória e apresenta ao leitor novas formas de encarar a vida.

Se você concorda com isso, deve dar uma olhada na sugestão de biblioteca do projeto Educar para Crescer. Lá você encontra uma lista com livros indicados para cada faixa etária.


Como seria sua biblioteca ideal?
Deixe um comentário com sugestões de leitura!


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Do que é feito nossos sonhos?

bem azul


Do que é feito nossos sonhos?... Não de algodão eu sei, mas de algo assim macio, realmente macio? A dúvida se infiltra pela minha mente e aflora questionamentos mil de toda sorte. As perguntas pululam e surgem sabe-se lá de onde, enquanto tento manter minha cabeça no lugar e não me perder em meio aos pensamentos que circulam enérgicos, às emoções gritantes e meu semblante congelado.

O que se passa? Não sei. Também não sei se gostaria de saber. O confronto com a realidade é duro; sonhar é preciso. Todos temos problemas - fato generalizado, super-estimado e comprovado.

A grama logo ali é mais verde mesmo ou estou sofrendo de algum tipo de daltonismo? Ricos: em que? Do que podemos nos nutrir senão de nossos sonhos. Pausa para uma reflexão: e se eu estiver promovendo o desenvolvimento de algo artificial a minha volta e quando me descobrir em pleno deserto existencial for assolado pelo nada.

Uma porrada, uma parede fria e só. Mais nada. Nem o nada por aqui - um vácuo?

De que dispomos para ludibriar nossos sentidos diante da falta de sentido da vida?

Alienemo-nos!(?) A vida é longa quando o viver é curto.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

maria, maria

maria era uma menina levada. levada assim daquelas que fingiam ser uma coisa mas era outra. era tudo menos santa, isso sim. maria usava saia como todas as meninas. saia de uniforme, mas seu uniforme não era tão uniforme assim: era mais curto e menos uniforme que o uniforme das outras meninas. maria sabia disso. queria mesmo era mostrar as pernas para os meninos - mesmo fingindo que não era com ela. maria era meio assim, meio assado, se fazia de sonsa e arrasava quarteirão. depois anotava tudo no seu diário, anotava suas estripulias à la Capitu. muitos queriam ser bentinhos para se afogar em sua ressaca; poucos tiveram essa chance.

maria registrava tudo que aprontava; tinha sonho de ser escritora. escrevia, escrevia, escrevia. não era a melhor nem a pior escritora. escrevia com a malícia que já despontava na infância. palavras, palavras, palavras. escrevia, escrevia, escrevia. a saia diminuia, diminuia. às vezes subia, às vezes descia: tudo conforme a moda. ela sempre foi uma menina da moda. nunca da minha moda - eu era completamente fora da estação.

maria menina já meio mulher. escrevia, escrevia, escrevia. diminuia, diminuia. subia e descia. pernas grossas. pequena estatura. ego enorme. subia e descia, mas não era em mim.

maria escreve, escreve, escreve. se sobe ou desce não sei, nem se for, nem com quem. voa por aí pendurada no seu ego. e sua lembrança que em minha memória em mim doia, hoje é só um borrão.

maria, maria, levada pelo tempo. rodada pela saia, saía, saía, saiu. maria foi uma coisa, hoje é outra. escreve, escreve, escreve; e é só.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Como o vinil mudou minha vida

2009 foi um ano único em minha vida. Único porque me permiti colocar em prática vários projetos que estavam em stand by desde 2008. Único porque me permiti me permitir.

Um dos resultados mais legais foi botar em uso a coleção de LPs empoeirada do meu pai e descobrir gostos musicais novos, mais cultura para alimentar minha alma.

Escutar vinil é uma arte. Coisa que merece dedicação, senão devoção.

Quando criança ainda tive contato com aqueles grandes discos pretos e com o aparelho com o braço e a agulhinha na ponta. Meu pai até tinha me dado uma Eletrola Philips amarela... Felizmente preservada até hoje e com a qual posso me deliciar com os LPs.

Aos 10 anos fui apresentado ao Compact Disc, vulgo CD. Ganhei meu primeiro álbum nesse formato no meu aniversário de 1990: Information Society. Super engraçado... nem tinha um tocador em casa. Tive de esperar mais um mês até convencer meu pai a comprar um.

Lembro do trombolho que era o carrossel da Gradiente para 5 discos. Tudo conectado ao grande sistema de som Pioneer do meu pai; ainda com vitrola, equalizador, K7 e tudo o mais. Como aquilo ocupava espaço.

Quase 20 anos depois reencontro meus velhos discos e os discos de meu pai. Todos aguardando serem revelados, apresentados aos meus ouvidos. Alguns álbuns ainda intocados, lacrados, pedindo para serem libertados.

E eu ali. Com minha Eletrola amarela, desbravando o passado em busca do futuro.

Escutar discos de vinil é sim uma arte. Algo com seu próprio Bushido.

A música moderna está formatada ao consumo imediato. Podemos deglutir rádio digital via internet, queimar MP3s aos lotes para nossos iPhones, iPods e afins, conectá-los ao rádio do carro, ao som da sala, ao computador. E as bandas passam, as músicas voam daqui para lá e ninguém lembra quem tocou o quê.

A música deixou de ser uma trilha sonora complementar ou um estímulo do ócio e à filosofia vã do dia-a-dia para ser um objeto, uma coisa, um isso e só.

Colocar a agulha da vitrola no local certo, apreciar a equalização oca do LP, ouvir os chiadinhos ao fundo é exercer a paciência - algo tão em desuso atualmente.

Virar o lado quando disco acabar, trocar o disco, esperar, recomeçar. Entender que para haver continuidade é preciso compromisso, dedicação.

Guardar os discos com cuidado. Saber que a música está ali. E que caso ela se perca, ela realmente se foi e não vai voltar.

As coisas têm fim.




domingo, 6 de dezembro de 2009

no limiar do crepúsculo

blured seats


Toda vez que te vejo me dá uma vontade de te controlar. O poder é algo que fascina. O que mais poderia ser? Queremos cada ínfima coisa detalhadamente de um jeito próprio que nem sempre é alcançado quando alça voo. Quem sabe como poderia ser?

Vendo o mundo de uma forma distorcida... Vendo. Vejo. Quem vai comprar? Apenas uma idéia, talvez. Uma idéia qualquer para os outros, que de longe observam sem nada entender. Uma idéia qualquer. Para você a única idéia possível. O único mundo viável.

Indizível. Como explicar os sonhos? Se ao menos o sonhador soubesse o que sonha... Mas, talvez, isso também não seria uma solução... ou seria? Seria?

Sorria! Não aquele sorriso amarelo de quem não sabe o que dizer. Fale a verdade: de dentro para fora. Diga-me tudo, não me esconda nada. E... sorria!

Quem vai comprar os seus sonhos? Quem vai bancar o seu mundo?

Faça o que fizer. Faça!

Seja quem quiser.... Seja quem quiser!

Sonhe.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

trabalhar (!)





Um bom local de trabalho, como defini-lo? Se conversarmos com pessoas que estão procurando um emprego, iremos nos deparar com pelo menos três enfoques sobre o trabalho que podem ser resumidos pelos verbos ser, ter e fazer.

É comum a falta de consenso sobre o que é um bom local de trabalho. Digo consenso real. O lugar-comum do local de trabalho no qual podemos ganhar bem, estabelecer bons relacionamentos, sermos reconhecidos, contribuirmos com a criação de valor através das tarefas de trabalho, entre vários outros quesitos, é indiscutível.

Faço orientação profissional e aconselhamento de carreira há 7 anos. Me defrontei com públicos diversos: alunos de ensino fundamental e médio, universitários, intercambistas e suas famílias, executivos repensando suas carreiras. Todos sonhando com uma vida melhor.

Melhor para quem? Essa é a pergunta que faço aos meus orientandos no projeto de extensão que coordeno no UNESC, onde também leciono para os cursos de Direito, Administração e Ciências Contábeis. De que nos vale um trabalho, receber um bom salário e pagar com nossa saúde (física, mental e espiritual), nossos relacionamentos familiares e de amizade?

Não sou comunista, mas devo concordar com Karl Marx que o trabalho é mais do que simplesmente trabalhar, no sentido de força de trabalho física, ou mesmo psicológica. Trabalhar é mudar o mundo em que vivemos. Trabalhar é produzir bens, serviços. Trabalhar é construir nossa realidade particular.

Ser, ter e fazer. Verbos que deveríamos conjugar juntos. No presente do indicativo, no futuro do presente. Não importa; trabalhar deveria ser uma atividade de cidadania completa. Um exercício existencial.

Lembre-se da pergunta melhor para quem? Trabalhar é uma parte da vida, não o contrário.



* Fábio Nogueira é um trabalhador empenhado na construção de um mundo melhor e considera o trabalho um hobby. Nas horas vagas, é professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação; faz pesquisas porque acha interessante aprender sobre o mundo e as pessoas; fotógrafo aprendiz [flickr 1, flickr 2], poeta amador e filósofo de final de semana.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ridículo é não viver




Por tantas vezes na vida pensamos sobre o que os outros pensariam se fizéssemos o que queremos. Por quantas vezes mais abdicaremos de nós em prol do bem alheio? Ocorrem momentos de suspensão de nossos desejos para o bem comum.

Infiltradas em nossas almas estão a sociedade. Tudo de bom; tudo de ruim. Faça assim, assim. Desde pequenos, o convívio social - primeiro em família, depois na escola e no trabalho - nos ensina quem deveríamos ser. O ideal, ideologicamente formatado. O real se perde.

Se é ético, que problema tem?
Vem também!
Seja você, seja feliz!

Ridículo é não viver.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sexta-feira é dia de paella

paella...

Sexta-feira. Final da semana de trabalho para uns, véspera para outros - inclusive eu.

Gostaria de lhes recomendar o almoço na padaria Monte Libano na Praia do Canto (Av. Rio Branco). Sexta lá é dia de paella...

Como não posso sonhar com a Espanha, me resta dar um pulo lá na Monte Libano e me fartar com o mexido mais chique do mundo (delícia!...).


terça-feira, 29 de setembro de 2009

águas calmas e a nudez da verdade

queda d'água



Algumas mulheres são águas de aparência calma. Lá no fundo, corre uma correnteza agitada. Quem ali mergulha não sabe o que o espera: pode ficar preso envolto em suas águas; pode se ver livre da ingrata mansidão.

Mãe, noiva, esposa, filha, amiga: mulher. Tantas e uma só. Sem ela(s) o mundo seria moroso, insosso. Eis a nudez da verdade.


sábado, 26 de setembro de 2009

Espectadores da vida




Poucos minutos atrás, eu estava postando respostas para exercícios de revisão para meus alunos quando minha mãe entrou em meu quarto. Sorridente, perguntou o que fazia e olhando meio de lado, quase intrusivamente, xeretou meus posts com as respostas dos exercícios. Ela sentou na minha cama ao meu lado.

Logo veio o estalo de fatos rotineiros que a incomodam. (Pausa: volta e meia minha mãe compartilha comigo seus desagrados e malidicências.) Minha mãe me disse que todos os dias recebe mensagens e mais mensagens de uma colega que se aposentou, porém ainda trabalha, e que passa parte da noite no computador conectada ao mundo. Bem, talvez um mundo meio vazio pelo que entendi ao ouvir suas palavras.

Sua queixa era sobretudo a respeito daquelas meia dúzia e tal de mensagens que chegavam rotineiramente em sua caixa de entrada todos os dias. Aí, como que confessando um pequeno pecado, disse que apagava as mensagens sem ler. Eram mensagens com piadas, correntes, lendas urbanas e afins. Entre as palavras de minha mãe me vieram na cabeça lembranças de e-mail que insistem em pular o muro e invadir meu jardim de tranquilidade.

Conheço algumas pessoas que mantém esse hábito comum às pessoas hoje em dia. Pessoas que coletam informações vazias e repassam adiante, inundando o mundo de inutilidades.

Me lembro também da época que tinha meu primeiro PC em casa, um Aptiva da IBM. Compramos aquilo através de leasing, quem diria... Enfim, mesmo naqueles tempos de início de Hotmail, Windows 3.11 e BBSs se transformando em provedores de internet discada em modems de 14k, cultivei por certo tempo o hábito de escrever cartas para amigos.

Hoje, não reservo tempo para escrever assim. Minhas aulas são feitas em PPS ou PPT, porque se quiser escrever no quadro (que agora é branco!), meus alunos não entenderiam bulhufas da matéria. (Vixe! Será que com slides ajuda?)

Bem, reflexões a parte, retomando o assunto, eu me dedicava a escrever, tirava um tempo para ir aos Correios e tal. E para fazer tudo isso, eu realmente tinha que ter algo a dizer.

Meus alunos têm dificuldade de responder as questões das provas porque perderam o hábito de ler e escrever desde a escola. Os e-mails continuam chegando com um monte de baboseiras sem pé nem cabeça.

Foi-se o dia no qual as pessoas tinham algo a dizer. Agora, são apenas espectadores da vida.


domingo, 13 de setembro de 2009

Lá de cima, o mundo é diferente

in my shoes


Galgar passos rumo ao infinito das possibilidades é minha obsessão. Todos os dias quando acordo imagino que hoje será um ótimo dia. Sei que pode parecer papo de autor de livro de auto-ajuda, conversa de quem quer tranquilizar o mundo diante das atrocidades deflagradas nos jornais e nas esquinas. Mas é a mais pura verdade.

Naqueles dias que o céu está nublado, meu humor se fecha como as nuvens cinzas. Sou um cara de humor fotossensível. Tem dias que brinco dizendo que sou igual samambaia, preciso de sol para ser feliz. Quando me lembro que já passei pela experiência de inverno severo, temperaturas abaixo de zero e pouco sol (ou nenhum), não consigo imaginar como sobrevivi. Creio que tenha sido todas as novidades que me acompanharam nessa etapa tão especial de minha vida.

Fechando o parênteses. Podemos fazer de nossos dias dias melhores. Claro que parte dos acontecimentos já estão preparados nos esperando, são as consequências de escolhas do passado que se revelam no ex-futuro que se faz presente. O que pode mudar é, no mínimo, a forma como encaramos o que nos aguarda.

Limpar a alma de expectativas prejudiciais à saúde é o primeiro passo. Depois, respiro fundo e me lembro de um artigo que li sobre linguística e humor. Não me lembro onde li este artigo, apenas que estudaram o efeito de fonemas na composição do humor. Os cientistas analisaram os fonemas presentes em diversas línguas e chegaram à conclusão que línguas com fonemas mais abertos, que fazem com que tenhamos expressões faciais parecidas com sorrisos, alegria e felicidade. Assim, fonemas /a/ e /e/ (ou seja lá como for) alteram o funcionamento do cérebro e levantam o humor.

Quando o dia não está lá essas coisas, ou sei que terei atividades que vão exigir um tanto de mim, ou as consequências de algumas escolhas indevidas (todos erram, inclusive eu) estão virando a esquina, começo meus exercício fonéticos. Não fico falando "aaaaaaaaaaaaaaaa" no meio da rua. Mentalizo o fonema /a/e me imagino dando um sorriso largo, sincero e contagiante. Logo que a sensação boa vem e eu permito que o sorriso surja naturalmente.

Pode acreditar. O dia fica diferente depois desse simples exercício.

Aí, é dar o primeiro passo. Um passo após o outro. Mantendo o ritmo, subindo os degraus que aparecem. O rumo é certo: os sonhos. E quando chego no destino, viro e olho o caminho. Lá de cima, o mundo é diferente.


sábado, 15 de agosto de 2009

deixa-me viver

caminho


Você sempre me pergunta por ando descalço. Não sei, sinceramente... nem sei muita coisa, é bem verdade. Acho que andar descalço me lembra minha infância ou algo assim, talvez a criança que vive em mim. Você não gosta do meu cabelo, não gosta da minha barba por fazer. Seus olhos percorrem todo o meu corpo, de cima até embaixo, procurando defeitos para me dizer que não sou como nos seus sonhos.

Nos meus sonhos, corro livre por entre a gente. Percorro ruas, praças, vou até a praia. Mergulho, volto e corro de volta pra casa. Minha casa, não a sua. Seu lar não é doce, amargo como seu coração. Uma pena você viver assim, a sofrer calada, sem saber o que é a vida lá fora. Trancada em sua carcaça, inflexível, insípida, infeliz.

Solte meu braço, não quero seus abraços, seu sorriso falso.

Solte meu braço, deixa-me viver.


domingo, 19 de julho de 2009

felicidade pura não é carnaval




Às vezes me pergunto por qual razão devemos crescer. O olhar inocente da criança busca o universo a sua volta de sem explicações, apenas quer mais. E quando crescemos queremos mais e mais além de tentarmos nos explicar como as coisas funcionam, como o mundo é (ou deveria ser).

Cultivar o olhar infantil na sua aceitação das potencialidades é um exercício que bem exige um esforço para não se deixar convencer que o mundo tem somente um padrão. Será que as coisas serão assim mesmo? Ou elas podem ser diferentes?

Se eu para e conversar com minha sombra... como reagirão as pessoas? Você tem um amigo imaginário? Ao menos... você é seu amigo(a)?

Tantas vezes pensamos em agradar aos outros, à sociedade, atender expectativas. Esquecemos de um amigo nada imaginário, completamente real: nós. Sim, você, eu. Cada um de nós.

Nos prendemos em mundos. Alguns em mundos que existem apenas em suas cabeças, outros em mundos apenas além de suas cabeças, e ainda outros tantos em mundos aquém de suas cabeças. Não deveríamos viver num mundo sem fronteiras, um mundo onde todas as possibilidades existem?

Tem que ser sempre assim: palpável, visível, racional e aceitável?

E se eu quiser diferente?... Você ainda vai me querer por perto? Ou seria isso algo incerto? Dependeria de algo a mais, ou só de mim e você?

Pergunto-me se as respostas são válidas, se deveriam ser válidas, se as perguntas deveriam existir, se elas deveriam ser impertinentes. Tudo que quero é viver sorridente, crente de que nada é ausente, tudo é potencial.

Felicidade pura não é Carnaval.


Fonte da figura: MORENEWMATH


terça-feira, 30 de junho de 2009

concretismo (trans)corrido concretíssimo

detalhe da grade


queria tanto estar com as palavras soltas assim em prosa corrida desembestada por entre as linhas e escrever assim tão lindo como tem feito mas minha sintaxe poética ainda está presa na minha metodologia encucada (pergunto a mim mesmo se é encabulada) em pragmatismos dissertativos bizonhos e aprisionantes quem sabe um dia reticências quem sabe pergunta filosófica só Deus certeza absoluta


domingo, 17 de maio de 2009

[longplayexperience] Dia 21> a little going back to the past is not much if you wanna build your future

Domingão.. dia de acordar um pouco mais tarde; lavar o carro; almoço em família; cochilo de tarde; corrida na praia; e, claro!, disco de vinil...

Domingo para entrar em contato com o mais íntimo de nossa alma. Ouça um álbum de jazz. Lembrar de um amor e tentar dar um jeito na saudade. Baden Powell e o violão. Diversão sim, Titãs também.

Revisitar o passado é uma forma de responder perguntas importantes. Qualquer planejamento básico, seja pessoal ou num projeto de trabalho, deve responder a simples e profundas perguntas:
  1. Quem sou?
  2. De onde vim?
  3. Quem quero ser?
  4. Para onde vou?
  5. Como vou fazer para chegar lá?
  6. Como vou saber quando cheguei lá?
A música nos permite recobrar nossa história, levantar nossos recursos mais poderosos e aplicar com perfeição em nossa vida. Olhe ao seu redor, observe a natureza, escute o seu coração, aprecie as coisas simples da vida, lute pelo que acredita. Seja feliz! Construa um futuro sustentável para você e para todo mundo. Se todos ganharmos, eu e você ganhamos. Se somente um ganhar hoje, talvez amanhã, quando você precisar tanto de ajuda, não poderei lhe dar o apoio que precisa.



Soul meeting - Ray Charles & Milt Jackson (1978)
Lado A
  1. hallelujah i love her so (Ray CHarles)
  2. blue genius (Ray Charles)
  3. x-ray blues (Ray Charles)
Lado B
  1. soul meeting (Milt Jackson)
  2. love on my mind (Ray Charles)
  3. bags of blues (Milt Jackson)

* Ótimo para acompanhar o café da manhã. Vai bem com café, bolo, pão com requeijão, papaya e bananas.




Solitude on guitar - Baden Powell (1973)
Lado A
  1. introdução ao poema dos olhos da amada (Baden Powell/Paulo Soledade/Vinicius de Moraes)
  2. chará (Baden Powell)
  3. se todos fossem iguais a você (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
  4. márcia, eu te amo (Baden Powell)
  5. na gafieira do vidigal (Baden Powell)
  6. kommt ein vogel geflogen (música tradicional alemã; arranjos: Baden Powell)
Lado B
  1. fim da linha (Baden Powell)
  2. the shadow of your smile (Johnny Mandel)
  3. brasiliana (Baden Powell)
  4. bassamba (Eberhard Weber)
  5. por causa de você (Tom Jobim/Dolores Duran)
  6. solitário (Baden Powell)
* Paixão dedilhada nos mínimos detalhes. Para ouvir de olhos fechados, deitado na cama, pensando em como a vida é boa.



Go Back - Titãs (1988)
Lado A
  1. jesus não tem dentes no país dos banguelas (Nando Reis/Marcelo Fromer)
  2. bichos escrotos (Arnaldo Antunes/Sérgio Brito/Nando Reis)
  3. pavimentação (Paulo Miklos/Arnaldo Antunes)
  4. diversão (Sérgio Brito/Nando Reis)
  5. marvin (R. Dunbar/G.N. Johson; versão: Sérgio Brito/Nando Reis)
  6. aa-uu (Sérgio Brito/Marcelo Fromer)
Lado B
  1. go back (Sérgio Brito/Torquato Neto)
  2. polícia (Toni Bellotto)
  3. cabeça dinossauro (Paulo Miklos/Branco Mello/Arnaldo Antunes)
  4. massacre (Sérgio Brito/Marcelo Fromer)
  5. não vou me adaptar (Arnaldo Antunes)
  6. lugar nenhum (Arnaldo Antunes/Charles Gavin/Marcelo Fromer/Sérgio Brito/Toni Bellotto)
* Não sei se foi as drogas, se foi as mulheres, se foi o dinheiro... o Titãs não sobreviveu à fama e aos projetos paralelos de seus integrantes. Uma pena!...
Nesse álbum, minhas faixas favoritas são... difícil dizer... Todas falam um pouco do rock nos anos 1980.
Era a época do Brasil se descobrindo nação, reinvindicando um espaço ao sol. Descobrimos que somos mais que samba, cachaça, biquinis e praias. Todos produtos louváveis de nosso querido país, mas somos mais que isso. E as bandas que surgiram nesse período criticavam nossa própria perspectiva de nossa terra.
Viva o rock!


E pra finalizar... postar ouvindo aos Beatles. Domingo 100%.



***

Isso me faz lembrar de uma poesia de Pablo Neruda cujo trecho foi inserido na versão em Español de Go Back no álbum Acústivo MTV do Titãs...

Seguem o poema e a letra da música na versão hermana.

Farewell y Sollosos
Pablo Neruda
Desde el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste, como yo, nos mira.
Por esa vida que árdera en sus venas
tendrían que amarrarse nuestras vidas.
Por esas manos , hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.
Por sus ojos abiertos en la tierra.
veré en los tuyos lágrimas un día.
Yo no lo quiero, Amada.
Para que nada nos amarre
que no nos una nada.
Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron las palabras.
Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni sollozos junto a la ventana.
(Amo el amor de los marineros
que besan y se van.
Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.
En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.
Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.
Amo el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.
Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.
Amor que quiere libertarse
para volver amar.
Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va.)
Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya que no se endulzará junto a ti mi dolor.
Pero hacia donde vaya llevaré tu miraday 
hacia donde camines llevarás mi dolor.
Fui tuyo, fuiste mía. 
Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.
Fui tuyo, fuiste mía. 
Tú serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.
Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacía dónde voy....
Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.


Go Back (Espanhol) - Titãs
Aunque me llames
Aunque vayamos al cine
Aunque reclames
Aunque ese amor no camine
Aunque eran planes y hoy yo lo siento
Si casi nada quedó
Fue sólo um cuento
Fue nuestra historia de amor
Y no te voy a decir si fue lo mejor
Pues
Sólo quiero saber lo que puede dar cierto
No tengo tiempo a perder

Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos
Ya no se endulzará junto a ti mi dolor
Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
Y hacia donde camines llevarás mi dolor
Fui tuyo, fuiste mía
¿Qué más? Juntos hicimos un recuerdo en la ruta donde el amor pasó
Fui tuyo, fuiste mía.
Tú serás del que te ame
Del que corte en tu huerto lo que he sembrado.
Me voy, Estoy triste.
Pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos.
No sé hacia donde voy.
...Desde tu corazón me dice adiós un niño y yo le digo adiós.


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Chorinho chorado no Flamengo


Semana passada tive a incrível experiência de passar o final de semana no Rio de Janeiro. Muitos pontos históricos e turísticos visitados, muita música na vitrola, conversa em mesa de bar e sintonia com pessoas da melhor qualidade.

Continuando a pesquisa musical e a experimentação de novos estilos e autores, fui a uma praça no Flamengo no domingo e, para minha surpresa, estava rolando uma boa roda de chorinho. O mais interessante é que os músicos iam se revesando e quem quisesse era só chegar com seu instrumento e entrar no ritmo.

Música excelente!

Em breve: Playlist do mês de maio. Sei que estou em dívida, mas o fim do curso de MBA (com direito a TCC, Jogos de Negócios e um enorme PEM), a correria das aulas na UNESC e as monografias da pós em Sexualidade tem me impedido de ouvir música em casa.

Prometo que até sábado ou no mais tardar domingo sai uma playlist novinha e cheia de novidades.

Saudações saudosistas!...