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segunda-feira, 30 de abril de 2012

por onde anda, andarilho?



I
por onde anda, andarilho?
por onde correm seus pés?

pra onde foram seus olhos viajantes?
pra onde mira seu pé?

por que não monta e segue?
por que parou e partiu
em alguns pedaços seu coração
em saudades de alguns aléns?

basta seguir seguindo, andarilho
basta seguir e sorrir
basta seguir o menino
basta seguir o sol e cantar



II
por onde anda, andarilho?
por onde correm seus pés?


pra onde miram seus olhos, viajante?
pra onde foi seu pé?

por que não canta e segue?
por que parou e sentiu
um calafrio em seu coração
uma saudade de ninguém?

basta de seguir sofrendo, andarilho
basta de grunhir e sofrer
basta de repreender o menino
basta seguir o sol e dançar


PS: Tanto tempo sem escrever... acho que estou perdendo "a mão"...

domingo, 17 de abril de 2011

#poesiacrua


incrível como acordo todo dia querendo mudar o mundo, ajudar as pessoas a crescerem... e por quantas vezes já tentei me ajustar

e fazer como todo mundo faz, daquele jeito comum e certo, mas algo aqui dentro me impede de ser mais um ou nenhum ou qualquer um

desviar o olhar e sentir a brisa, as cores e as coisas desse jeito, sentindo que há algo maior, pois somos potencialidades

ser mais um no rebanho, e não um estranho, diferentemente divergente convergindo as potencialidades da vida toda aqui e agora

sou e não sou, porque tudo nem é nem não é, a vida, ela isso coisa movimento vida assim bem e mal inerente transcendente vida




***


Quer ler outras poesias minhas? Siga-me no twitter.com/fabionp.


Te encontro por aí!



domingo, 21 de novembro de 2010

saideira para os (não) saudosistas



não sou saudosista
mas gosto de lembrar como era fácil sonhar sem me preocupar com o amanhã
o tempo passa pela gente desapercebido
fica a experiência e vai-se a energia
feliz somos os que vivemos também de ideias e ideais

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

depart ailleurs

la pluie tombe
tous n'est encore la même chose
les enfants terribles sortient dans mon coeur
l'amour n'est pas là
qu'a passé?
je suis seule et ne sais plus qui je suis sans tu chez moi

domingo, 12 de setembro de 2010

Dichterliebe



siempre lejos, no sé cómo hacerlo
y lejos así, soy cómo alguién sin rumbo, sin destino, sin vida

miro la calle y velos a jugar
me recuerdo de tu sonrisa en mi corazón con los niños alegres de mañana

ayer, fuera cómo se fue


el futuro es desconocido de todo
y yo, lo siento por estar lejos de ti

pero sigo adelante
el amor es mi fuerza

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Os buracos do espelho (por Arnaldo Antunes)



o buraco do espelho está fechado

agora eu tenho que ficar aqui

com um olho aberto, outro acordado

no lado de lá onde eu caí



pro lado de cá não tem acesso

mesmo que me chamem pelo nome

mesmo que admitam meu regresso

toda vez que eu vou a porta some



a janela some na parede

a palavra de água se dissolve

na palavra sede, a boca cede

antes de falar, e não se ouve



já tentei dormir a noite inteira

quatro, cinco, seis da madrugada

vou ficar ali nessa cadeira

uma orelha alerta, outra ligada



o buraco do espelho está fechado

agora eu tenho que ficar agora

fui pelo abandono abandonado

aqui dentro do lado de fora


Fonte: Arnaldo Antunes

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Por uma razão... ou nenhuma




"Grandes realizações não são feitas por impulso, mas por uma soma de pequenas realizações."
Vincent Van Gogh

***

Abdicar de um ganho de curto prazo pode parecer difícil diante do medo de esperar e colher algo melhor num futuro incerto. Procurar além do horizonte do agora, ainda que se viva cada momento na incerteza da construção de um tempo que se faz presente.

Se tivéssemos um acesso epistêmico às linhas do tempo que se cruzam em nossas pessoas, nesse deslizamento das memórias do passado que formam nós e nos formam com as potencialidades do futuro, seríamos menos ansiosos ou ficaríamos paralisados na expectativa do vir-a-ser?

***

ser-aqui-no mundo e não ser nada mais que alguém
a quem devo invocar para ser além, senão a mim mesmo
acreditar nas fábulas de minha juventude
crer nas esperanças bem-aventuradas do viver assim

viver a vida a cada instante do começo ao fim
e se refletisse, como quem não quer nada, todos os detalhes amiúde
desde os pequeninos aos grandes eventos que me ocorrem ao esmo
descobriria um eu que não eu ou de mim a mim mesmo meu refém

preso na eternidade das dimensões infinitas da existência
condenado à liberdade e responsável pela realidade que construo
e se nada fizer já teria feito, com ou sem defeito
porque todo feito é suspeito de nada ser

tão cheio ou vazio de significado na dança dos girassóis à procura do sol


sábado, 24 de julho de 2010

Tudo é o olhar

Clarice Lispector




(leia o poema abaixo e depois releia de baixo para cima)




Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...




***


Me deparei hoje com esse excelente poema.
Meu dia ficou melhor.

terça-feira, 6 de julho de 2010

falhas

lançai a rede



falhas
falhas me perseguem
falhas no meu encalço
falhas falam
falhas falam de mim
falhas falam daquilo que preciso aprender

eu falho
tu falhas
nós falhamos
e se assim é, aprendamos
é o mínimo que podemos fazer por nós mesmos


quarta-feira, 30 de junho de 2010

de métrica e rima e da boçal racionalidade e seus fundamentalismos ou minha fé

correntes

queria minha rendição poética
alforria da alma e de minhas inéditas peculiaridades
livrar minhas personalidades reprimidas
e ver meus dedos dançando sonhos de anjos sem asas
respirar fundo além deste ar de meus pulmões

mas tudo que me resta é esta boçal racionalidade
e minha obsessão estrutural fundamentalista
e mesmo que eu me pergunte volta e meia tais questões no chuveiro
minhas ideias não se limpam da sujeira cotidiana que restringe minha produção
e o que me resta é a reprodução abjeta da realidade formal
sacrificando minhas emoções e criatividade pela segurança de um pão diário
sendo derrotado pelo costumeiro e vulgar em detrimento da beleza do inesperado

me pergunto se caso eu enlouquecesse se seria mais feliz
ou se fosse mais feliz se seria violentado pela loucura da completude existencial

e assim me fio nos meus poucos trocados e trocadilhos
porque eu ainda acredito nos atos de fé de Pessoa e Neruda
pois creio piamente que minha alma não é pequena
e defendo que só o poeta conhece a razão de seus versos
já que minhas palavras respeitam somente a métrica e a rima de meu coração


aqui somos um

terça-feira, 29 de junho de 2010

pas un mort-vivant

janela da casa da "cuca"

l'humanité ne sait pas aucune idée que je voudrais faire
je ne pense plus sur les mémoirs de mon coeur
je ne pense rien sur les mots que passent dans ma tête
je me lève et regarde les crayons noirs et tous sont pas real
qu'est-ce qu'on fait? qui je suis?

mais les histoires ne fissent toujours mal
je ne suis pas un mort-vivant

segunda-feira, 28 de junho de 2010

je me réveille




e naquela noite vi minha vida em reverso
chorei minha juventude nas ondas do tempo que faz correr
aquilo que se esvai por entre os dedos de todos nós
não sabia que as mudanças viriam de parte em parte
e partiu de mim, em mim, o antes e o depois
todos aqueles anos que marcaram minha face
contabilizaram meus cabelos brancos e conjecturas
ideias confusas acerca das reentrâncias da existência
o que fora não mais é, só volta na memória da sabedoria
num futuro de toda alegria me dizendo "sorria"
dormi menino e acordei homem
fugindo do mal e do mundo perverso
construo meus projetos baseados no que posso crer
avançando, valente, desatando controvérsias e nós
não podia reter o tradicionalismo inóspito e seu baluarte
e partiu de mim, em mim, o antes e o depois
todas aquelas vidas que fitaram minha face
mobilizaram meus cabelos brancos e abreviaturas
minúcias de memórias nas reentrâncias da existência
o que fora não mais é, pó solta da memória que me doía
um fututo surge com sorrisos me dizendo "alegria"


segunda-feira, 7 de junho de 2010

eu sou (esquisito)

at the table


nadar contra a correnteza é duro, mas é preciso para que a vida seja doce
olhos de criança sapeca, alma de um velho sábio
tudo isso e mais um pouco, e mais nada nem nada mais
se sou isso ou aquilo, ninguém sabe
se sou esquisito, sou além
sou eu e pronto
nunca pronto: sempre em construção

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dead end on Arnold Lane


mad dog


Depois que você se foi, tudo ficou diferente. Uma dúvida rondando minha mente continuamente, querendo saber o que houve, querendo ser mais que um pé de couve...


a star that shines
so awesomed me i can't rhyme
i remember when we were young
under the sun we were fun
waves breaking, running

deep space - quite where you (mis)placed
me once you were gone
left, there was no right to land earth
back again, flying failure

wish you were here
though it seems you used me back and forth,
up and down, just like so
you're gone, but for me brotherhood is never over

you were so jealous, me just naive
that's 'cause we were young
boys playing, partyong, having fun

for a moment shining more than the sun
it was fun, indeed
but part of me was left behind

and for more i can't tell
and far more i can't try
part of me was left behind

impossible to find
children
lost in time
waves barely listened
dogs bark their way to the grave
from what happened nothing's saved

and that's the end of it al
who are these people, anyway?


* Essa eu escrevi após uma sessão intensiva de dois documentários sobre o Pink Floyd...


sexta-feira, 28 de maio de 2010

nesses dias...

xuxu the mighty kitty

nesses dias em que me encontro
assim, chuvoso, nublado, me desencontro
comigo e minha felicidade
perco nos bolsos meus sorrisos
e improviso outros tantos
por cortesia ou sei lá o quê

nesses dias que ninguém quero ver,
não vejo nem a mim mesmo e
aproveito o ensejo para me
entocar dentro de mim

nesses dias em que me fecho,
surge um reflexo estranho de pensamentos
em refluxo, vomitados
sobre mim mesmo

nesses dias que alguém se aprouver
de vir, me ver e sorrir - que seja
profunda a amizade e busque
dentro de mim minha felicidade de volta

são dias que vem e que vão
e nesses dias -
pra lá e pra cá -
eu vivo, mas não só


terça-feira, 25 de maio de 2010

le lendemain

cheers

tudo ficou para depois
tudo se tornou dias seguintes
tudo é nada, pois amanhã ficou para depois
tudo é nada, pois amanhã é o dia seguinte

um dia após o outro
principalmente porque este dia me é um dia especial
um dia pós outro
primeiramente porque foi um dia ideal

um dia como outro
um dia em que tudo mudou
nada seria o amanhã sem o ocorrido
e tudo se tornou le lendemain de notre vie


sábado, 3 de abril de 2010

saquarema

o sol escaldante sobre minha pele
andando nas brancas areias dessa manhã
vi ao longo do horizonte o azul do céu:
liberdade, possibilidades

decidi ficar
eu sou aqui
nessas ondas, você e eu
uma vida melhor de intensidades

um som, uma sombra, as ondas e o mar

na ordem-desordem de tudo que há
há, pois, um pouco de mim, um pouco de você

somos nó
nós
nós outros
de coisas sem nome

um pouco de mim, um pouco de você

possibilidades libertas ao longo do horizonte
escaldantes sobre minha pele
vi o sol e o céu azul

e decidi ficar

sexta-feira, 5 de março de 2010

do tempo



"a palavra é o meu domínio sobre o mundo" clarisse linspector


por que me devoras assim aos poucos
e tira de mim minha carne, meus sonhos?
no tic tac da parede, no silêncio do pulso
vai-se por entre meus dedos e não retorna jamais
o tempo me alcança
às vezes cansa
às vezes descansa
passa por minha vida e vai
pois chega o dia em que ele me ultrapassa
e eu fico no tempo, ao relento
vivendo, vivendo, vivendo

* a foto acima é de uma rua numa cidadezinha de Conisbrough, no interior da Inglaterra, cujo nome foi mudado em 2009


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

J'aime lire! Educar para crescer.

Ler é um passaporte para outros mundos e uma ponte para facilitar o acesso a informações de nosso mundo.

A leitura estimula o desenvolvimento cognitivo, a memória e apresenta ao leitor novas formas de encarar a vida.

Se você concorda com isso, deve dar uma olhada na sugestão de biblioteca do projeto Educar para Crescer. Lá você encontra uma lista com livros indicados para cada faixa etária.


Como seria sua biblioteca ideal?
Deixe um comentário com sugestões de leitura!


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

maria, maria

maria era uma menina levada. levada assim daquelas que fingiam ser uma coisa mas era outra. era tudo menos santa, isso sim. maria usava saia como todas as meninas. saia de uniforme, mas seu uniforme não era tão uniforme assim: era mais curto e menos uniforme que o uniforme das outras meninas. maria sabia disso. queria mesmo era mostrar as pernas para os meninos - mesmo fingindo que não era com ela. maria era meio assim, meio assado, se fazia de sonsa e arrasava quarteirão. depois anotava tudo no seu diário, anotava suas estripulias à la Capitu. muitos queriam ser bentinhos para se afogar em sua ressaca; poucos tiveram essa chance.

maria registrava tudo que aprontava; tinha sonho de ser escritora. escrevia, escrevia, escrevia. não era a melhor nem a pior escritora. escrevia com a malícia que já despontava na infância. palavras, palavras, palavras. escrevia, escrevia, escrevia. a saia diminuia, diminuia. às vezes subia, às vezes descia: tudo conforme a moda. ela sempre foi uma menina da moda. nunca da minha moda - eu era completamente fora da estação.

maria menina já meio mulher. escrevia, escrevia, escrevia. diminuia, diminuia. subia e descia. pernas grossas. pequena estatura. ego enorme. subia e descia, mas não era em mim.

maria escreve, escreve, escreve. se sobe ou desce não sei, nem se for, nem com quem. voa por aí pendurada no seu ego. e sua lembrança que em minha memória em mim doia, hoje é só um borrão.

maria, maria, levada pelo tempo. rodada pela saia, saía, saía, saiu. maria foi uma coisa, hoje é outra. escreve, escreve, escreve; e é só.